quinta-feira, 16 de maio de 2013

Fugas e Esconderijos



Essa noite eu tive um sonho... Que estava fugindo e me escondendo. Sonhos assim fazem a gente acordar com aquela sensação de sufoco, de total realidade das emoções vividas em outra dimensão. Eu não me recordo bem do por que comecei a fugir, mas corria e corria até entrar em uma casa que estava em reforma. Era uma casa muito grande e bem empoeirada por causa da reforma, com muitos quartos, salas e antessalas. Em uma delas eu me escondi, e ficava olhando pelas frestas da porta ou pelo pequeno espaço da janela semiaberta. Mas eu sabia de quem eu estava fugindo. Um homem forte, alto, bem bonitão, mas que eu estava morrendo de medo. Medo de morrer, medo de sofrer... Afinal ele tinha uma cara assim, de terrorista. Um terrorista russo, bonitão, mas terrorista!



Sonhos assim nos fazem pensar na razão de sentir tais emoções. Se os sonhos são genuínos, e nos trazem sempre informações de nós mesmos, o que será que significa isso? Do que estou fugindo? Porque estou me escondendo? Até quando sobreviver sob os escombros de uma casa em reforma?



Mas o sonho teve um encerramento. O bonitão russo me encontrou, e eu corri tentando sair da casa. E nessa corrida me deparei com a “Dona da Casa”, que me reconheceu e me apresentou para o “Cara da Reforma” que pasmem, era o bonitão russo terrorista! E ao me reconhecerem e me apresentarem, os dois sorriam e estavam felizes por me receberem naquela “Casa”. Eu ainda sentia uma vontade danada de sair correndo dali, mas já estava entendendo que as coisas não são bem como eu estava vendo... Que a expectativa muitas vezes é uma fantasia e que talvez, quem sabe... Possamos nos conhecer e conviver em Paz!




quinta-feira, 18 de abril de 2013

Uma imagem


Às vezes você quer esquecer uma pessoa... Outras vezes se esforça em lembrar detalhes de uma pessoa. Independente disso, vez por outra, surge na sua mente uma imagem: e é como se você estivesse vivendo aquele momento novamente.


Não é você quem escolhe lembrar ou esquecer. Mas quando acontece, é mágico. Mesmo que você queira esquecer, você continua vivendo na sua mente aquele momento. Você não consegue parar. E parece que todo seu corpo responde. Repetindo a experiência nesse estado de lembrança, permite uma maior percepção das alterações que acontecem no corpo. Eu percebi que as famosas borboletas no estômago, nada mais são além do relaxamento do músculo diafragma.


Isso mesmo, ele se solta, relaxa e com isso o ar é liberado dos pulmões com maior facilidade e velocidade. E sai o também famoso suspiro. Uma sensação agradável de doar o ar para o meio. Você não precisa de tanto ar assim, e solta em um suspiro, esperando que aquelas moléculas que estavam em você possam alcançar o outro, imantadas com seu desejo.


Mas seu corpo é bobo e faz esse movimento mesmo distante da outra pessoa. O corpo responde, como se não existisse a distância, a separação. A imagem no seu cérebro é suficiente para que seu corpo responda assim.  Mas de onde vem essa imagem? E porque não conseguimos trazer quando queremos ou parar se não queremos? O que desperta no cérebro todo o desencadeamento desta imagem? Um cheiro? Um pensamento? Uma palavra? Um gosto? Ou apenas o relaxamento de um corpo estirado esperando o repouso reconfortante do sono?

O que é a realidade? Eis a questão!


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Uma lembrança e o sorriso


Vez em quando, em meio aos pensamentos cotidianos, surge nítida e claramente, uma frase dita por uma pessoa muito querida. Não é a frase, ou cada palavras em si, mas o som, aquele sotaque, que fica mais bonito com essa ou aquela palavras, e é essa característica tão própria da pessoa querida, que faz brotar aquele sorriso espontâneo no rosto...




quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Ele seria você...




Se eu tivesse um namorado
Ele seria você,
Mas como você não é
E a vontade continua
O que se pode fazer?
Resolvi mandar um beijo bem bom procê
Neste dia dos namorados!

domingo, 27 de janeiro de 2013

Quando meu irmão chegou...



De tantas histórias da infância, não tenho certeza se algumas realmente aconteceram... Mas existe uma imagem que eu sempre me lembro. O dia em que meu irmão chegou!

Eu tinha 4 anos, e me lembro da ansiedade de saber que a mamãe tinha ido para o hospital. Todas as mães deveriam ser proibidas de ir ao hospital! Mas era um bom motivo! Meu irmão estava chegando. Eu não me lembro dos sons, nem do que falavam, ou se riam... Eu me lembro do cheiro de rosas, do buquê de rosas vermelhas que a mamãe segurava em um dos braços... No outro braço o menino mais branco que eu já tinha visto! O chão da sala verde contraste com as rosas vermelhas... A estante de vidros atrás da mãe e o menino branco de olhos azuis... Acho que foi a primeira vez que senti o Amor!


quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Assombro



Ouvi falar que eu assusto
Fui procurar entender isso
Será que sou um assombro?

Perguntei ao Google
Como pode uma coisa dessas?
Ele me apresentou alguns poetas:

“Muitos hão-de julgar que a minha amada será um raro assombro de beleza.”  Francisco Joaquim Bringue

“O verdadeiro amor é um calafrio doce, um susto sem perigos.” João Guimarães Rosa

“Agora eu conheço esse grande susto de estar viva, tendo como único amparo exatamente o desamparo de estar viva.” Clarice Lispector

“O melhor do susto é esperar por ele.” Mario Quintana

“O que faço é tentar pintar com palavras as minhas fantasias diante do assombro que é a vida.” Rubem Alves

Então se sou um susto
Deixe o coração acelerar
Será um assombro?
Viva essa emoção!


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O dia mais especial


             Há 10 anos, era uma sexta-feira como hoje... Seria o dia mais especial da minha vida, mas eu ainda não sabia! Acordei cedo, pois às 8h começava a aula de Yoga. Estava bem disposta e fiz a postura SALAMBA SIRSHASANA, em que eu fico de cabeça para baixo, deixando a criança em meu ventre com a cabeça para cima. Claro que isso deixava minha médica de cabelos em pé, mas eu me sentia muito bem! Aliás, às 9h30 eu tinha a consulta com a ginecologista, àquela de acompanhamento das últimas semanas. Ela me avaliou e disse:
                - Ah, essa criança só nasce ano que vem!
                Saí e fui para meu consultório atender alguns pacientes. Na hora do almoço, fui à casa da minha mãe, mas como não tinha fome, não comi. Ainda me lembro de pensar que o último ultrassom sugeria um peso de + ou – 3 kg para o bebê!
                Como era o casamento de uma grande amiga, Andressa, fui para o Salão de Beleza ajudar nas maquiagens! A cada contração, eu desfilava com a barriga dura e todos colocando a mão: - “Puxa, que barriga bonita! Tá chegando a hora!”
Eu respondia rapidamente: - Nada! Só ano que vem!
Fui para casa, tomar banho para o casamento, quando vi a “gosma”... Era o tampão! Uns dos primeiros sinais de que chegou a hora... Mas também podia não ser... E fui para o casamento! Lá, ficava cronometrando os intervalos entre as contrações! Variavam entre 20 e 5 minutos... Nada regular! Devia ser mesmo um alarme falso! Mesmo assim, não fui para a festa de casamento e liguei para a médica. Ela me pediu para deitar e contar as contrações na próxima hora e encontrar com ela no ambulatório da Santa Casa, pois seu consultório já estava fechado. Fui com cabelo arrumado e maquiagem! Nem levei a malinha do bebê... Afinal eu não estava sentindo nenhuma dor! Eram 21 horas e a médica me diz: - Vamos nascer?
- Mas como? Eu não estou sentindo nenhuma dor, nada!
E ela rompeu a famosa bolsa! Ainda me lembro do líquido quente e fluido escorrendo. Tive medo, mas estava feliz! Meu pai comprou chocolates, porque eu não tinha comido nada durante todo o dia. A enfermeira veio com um soro, e eu perguntei se era Ocitocina. Ela disse que não, mas 5 minutos depois eu tive certeza: era Ocitocina! As contrações aumentaram demais! Eu até me lembro das dores das contrações, apesar de saber que quimicamente a mulher esquece para poder ter outros filhos... Mas o que eu lembro mesmo é do intervalo entre as contrações! Um relaxamento mágico! Parecia até um sono no céu! Minha mãe me disse que isso durava alguns poucos segundos... Mas eu me lembro bem!
Também me lembro do anestesista. Ah, acabaram as dores! Eu já disse que não me lembro de serem muitas as dores, mas eu pensei em sempre incluir um agradecimento aos céus pela profissão do anestesista!
Chegou a hora de fazer força! Vamos! E eu fiz... A médica chamou a enfermeira e disse: - Ajuda aí!
E ela desceu o braço sobre meu abdome empurrando para baixo enquanto a médica falava:
- Vamos! Força!
Pensei que por ser o primeiro parto, iria ficar ali fazendo força e força a madrugada toda. Eu fiz a segunda força e ele nasceu! Era meia noite e meia, e já era dia 28!
- É só isso? - Perguntei abismada.
- Nunca vi ninguém ganhar neném e perguntar se é só isso! Assim você vai ter uns 10 filhos!
Um menino lindo! Branco demais! Chorando muito alto! Eu segurei e só conseguia rir! Logo ele foi com o pediatra e já voltou com roupinha. Sério! Olhava cada uma das pessoas na sala com aquele olhar profundo que ele tem até hoje... Para mim, era o olhar do maior amor!
Fomos para o quarto, ele no meu colo. E eu passei toda a madrugada admirando cada dedinho das mãos e dos pés... Cada dobra da orelha... O narizinho... A boca tão desenhada! Na verdade eu não iria dormir todo o próximo mês, tamanha era minha admiração e amor!