Neste domingo, andando pela Avenida Paulista em São Paulo,
me surpreendi com um ônibus de som tocando o Hino Nacional na maior altura. Em
frente ao MASP pessoas com cartazes chamando para algo da Família. Querem
defender a família, legal! Mas não parecia legal, porque defendia a ditadura...
Que estranho!
Bom, adeus São Paulo e, de volta a Alfenas, vejo nas redes
sociais alunos de uma Instituição Federal construindo muros para protestar! Que
inusitado! O que eles querem? Qualidade no ensino? Ética nas pesquisas? Não...
É por causa do aumento do preço no bandejão. Ahhh... Lembrei-me do aumento no
preço do ônibus um tempo atrás... Vinte centavos, não era? E é gente pelada
falando que não merece ser estuprada, e caras grosseiros dizendo que elas
merecem sim! Sem contar a corrupção do governo que nem causa espanto mais. E
passeata pra isso, revolta daquilo... O que eu vejo é uma enorme confusão!
Tenho a sensação que estamos vivendo um momento histórico, e quando passar talvez
eu não saiba contar o que aconteceu. Ou talvez eu saiba muito bem, por ser tão
simples: egoísmo e hipocrisia.
Acho que vou voltar a ler o Apocalipse de São João, pelo
menos está mais ordenado do que os jornais.
"Seus dedos na minha pele são arrepios. Todos os pelos, curiosos, levantam-se para ouvir o suspiro. E, comemorando a vitória da pele sobre as palavras, acompanham os seus dedos, arrepiando-se, arrepiados. Seus dedos que, de tão leves, escorregam sobre minha pele, cortando-me em quatro pedaços." - Rita Apoena
Ser amado é consumir-se na chama. Amar, é luzir com uma luz inesgotável. Ser amado é passar; amar é durar.
(Rainer Rilke) "Se amor é remédio, ele é daqueles cheios de efeitos colaterais e de reações adversas. Seria divertido escrevermos a bula do amor. É o que os poetas tentam todos os dias, em um trabalho infinito, pois sempre falta algo a dizer." (Jorge Forbes)
Estava ouvindo
um chorinho de neném, aquele bem fininho, de bebê novinho mesmo. Fui ver,
porque quando a gente é mãe, isso é inevitável. Uma menininha linda, linda.
Perguntei quanto tempo tinha a menininha, e a mãe respondeu: 3 meses. E me disse
que ela dava esse chorinho pra pegar no colo, e ela tinha medo que a menina só
quisesse ficar no colo. Logo eu respondi:
- Deixe no
colo, daqui a pouco está andando por aí e não vai nem precisar, nem querer
colo.
Sorrimos como
as mamães amigas e confidentes fazem entre si, mesmo que não se conheçam. E
fiquei pensando: “Logo aprendem a andar, depois a correr, depois a competir,
como João, que ganhou o primeiro lugar na corrida dos 400 metros de
velocidade...”
"É campeão!"
Ele não é mais um menininho. Viajamos para o Clube de Campo ao
som de One Direction. Na minha época era um New Kids on the Block que fazia
sucesso. E fiquei pensando: O que aconteceu durante todo esse tempo de 11 anos?
Até que a bandinha é boa, rapaz!
Hoje vejo as
grávidas dizerem que seus filhos vão ler livros, e não vão ter essas tecnologias
para os filhos. Dou risada, pois vai chegar aquele momento em que a única coisa que
salva é o vídeo da Galinha Pintadinha. Bom, só sei disso, porque minha sobrinha
AMA essa galinha. Mas na época do João Pedro era o Barney, um dinossauro roxo
de barriga verde. Bom, depois passamos para o Bob Esponja (e a verdade é que
ele gosta até hoje!), Os Padrinhos Mágicos, Harry Potter, Drake e Josh, I
Carly, e, finalmente One Direction.
"Amo você, você me ama, somos uma família feliz..."
Puxa, parece
que foi ontem, mas já se passaram 11 anos. E aí você percebe que sempre vai dar
o colo, mesmo que só caiba a cabeça do seu bebê, quando ele diz que ama você
durante o café da manhã e já vai pular para o vídeo game.
Eu estou no Verão bem brasileiro. Você está no Inverno, seja
em Boston ou Barcelona. Se ao menos estivesse na Argentina, talvez nos
encontrássemos na Primavera.
Alguém
dirá, mas que bobagem, claro que é possível!
Qual a minha essência? Qual minha composição? E na
observação do dia a dia você vai descobrindo quem é você! Do que você é feito.
Estive pensando em como sou MUITO Vanessa. Vanessa intensa.
Vanessa ventando. Vanessa incisiva. Vanessa pé de chumbo. Vanessa tempestade
num copo d’água. Vanessa na ferida dói! Mas não é bom que seja eu mesma?
Ouvindo uma música, me recordei, talvez, da primeira vez...
A primeira vez em que eu dei mais do que o outro esperava. Era um amigo oculto,
eu tinha 10 anos. Eu tirei como amigo oculto uma querida amiga da escola.
Pensei em dar algo bonito, especial. Minha mãe, que tinha uma loja de produtos
de beleza na época, me ajudou a escolher um batom (rosa, claro!), e colocamos
em um papel de presente. Mas minha amiga não gostou. Não ficou contente com o
presente. O nariz torcido, o bico nos lábios... Eu ganhei uma caixa de bombom,
e mesmo não gostando de chocolate (pasmem!) eu gostei, porque meu pai e minha
irmã adoram chocolate. Naquela época, observei que todo mundo dava caixa de
bombom como presente. Você dá uma caixa de bombom, ganha uma caixa de bombom e
fica tudo bem. O valor do batom era pelo menos 3 vezes a caixa de bombom,
detalhe que eu não me lembro bem. Entretanto naquele dia, e isso eu me lembro,
eu senti uma dor no peito. Coração partido... Fiquei pra baixo, chorosa. Fui
para casa e fiquei vendo o tempo, o céu, e começou a tocar no rádio, The
Beatles: Hey Jude! Eu já sabia alguma coisa de inglês e achei que a música
estava falando comigo: me pedia para ficar bem! E eu fiquei... Mas aquela foi a
primeira vez. Não foi a única e muito menos a última. Quantas vezes dou o que
tenho de melhor, mas a pessoa não gosta, não quer? A pessoa não pediu! Aliás, é
o melhor, mais bonito, do meu ponto de vista...
"Hey, Jude, don't make it bad
Take a sad song and make it better
Remember to let her into your heart
Then you can start to make it better"
Uma substância pode ser veneno ou cura, depende da dose.
Homeopatia funciona com o princípio da semelhança e da diluição. Mas às vezes o
que funciona mesmo é uma alta dose de antibiótico, uma injeção. Uma taça de
vinho por dia faz bem! Já o excesso não se recomenda...
"Não é veneno a tua boca
Quando chama a luz do dia
Quando diz que a chama é pouca
Quando ama tão vadia"
O tempo passa, e como aconteceu quando eu era criança,
acontece ainda hoje. A pessoa reconhece que era um BOM presente, e agradece.
Mas depois, é depois. Como fazer alguém feliz? Como dar a dose exata? Como
curar sem machucar? Como equilibrar isso tudo? Como dosar, modular, ajustar?
E essa ideia de oferecer tudo não é uma ideia de gênio, não
é mesmo? O gênio realiza 3 desejos, e um de cada vez...
Reconhecer a necessidade do meio... Mas não é só isso. O
outro também precisa reconhecer e querer. Precisa atenção, ouvir o outro!
Observar as nuance do desejo. Não dar pérolas aos porcos.
Então, vamos arrumar um conta-gotas de Vanessa Lira Leite,
né?