quinta-feira, 17 de abril de 2014

Coração bobo

O tempo vai passando
Mas o coração que é bobo
Insiste em recordar
E de vez em quando dá uma saudade:

                  "Zabumba bumba esquisito
                   Batendo dentro do peito..."


do beijo delicado na mão,
do abraço apertado que suspende o corpo no ar
de rir de uma piada inteligentemente boba
das mãos fortes com pressa...

Romero Brito














Repare que o coração
Ressalta o que se viveu - o real!
A ilusão do que poderia ter sido
Aos poucos vai dando espaço
Vai gerando lucidez.

Exupéry














É o tempo deixando suas marcas
E é por isso que a cabeça fica velha
Mas o coração continua brincando!

Coração-Balão


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Apocalipse

   Neste domingo, andando pela Avenida Paulista em São Paulo, me surpreendi com um ônibus de som tocando o Hino Nacional na maior altura. Em frente ao MASP pessoas com cartazes chamando para algo da Família. Querem defender a família, legal! Mas não parecia legal, porque defendia a ditadura... Que estranho!

   Bom, adeus São Paulo e, de volta a Alfenas, vejo nas redes sociais alunos de uma Instituição Federal construindo muros para protestar! Que inusitado! O que eles querem? Qualidade no ensino? Ética nas pesquisas? Não... É por causa do aumento do preço no bandejão. Ahhh... Lembrei-me do aumento no preço do ônibus um tempo atrás... Vinte centavos, não era? E é gente pelada falando que não merece ser estuprada, e caras grosseiros dizendo que elas merecem sim! Sem contar a corrupção do governo que nem causa espanto mais. E passeata pra isso, revolta daquilo... O que eu vejo é uma enorme confusão! Tenho a sensação que estamos vivendo um momento histórico, e quando passar talvez eu não saiba contar o que aconteceu. Ou talvez eu saiba muito bem, por ser tão simples: egoísmo e hipocrisia.




   Acho que vou voltar a ler o Apocalipse de São João, pelo menos está mais ordenado do que os jornais.





sábado, 22 de março de 2014

Olhos verdes









Olhos verdes, por que choras ?
Tu não sabes que, quando choras,
ficam ainda mais verdes
em contraste com o o vermelho do choro ?
E que a umidade da lágrima faz o verde
brilhar mais que a Estrela da Manhã ?
Fica tão verde que dói,
o coração se contorce de ver.
Por isso, te imploro olhos verdes,
não chores mais.
Essa beleza eu não posso suportar.




quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O não dito

Existe           algo
 
que não pode ser dito,
 
que não se escreve,
 
mas inflama.


E tem gente que tenta explicar, 

Ah, os poetas...


É preciso riscar o fósforo

calor requer atrito

poemas
dizê-los sempre
todos
nunca guardá-los
ou um dia saberão a mofo
feito a vida que se adia

às lenhas da poesia
na vida e na arte
não basta o sopro
é preciso riscar o fósforo
queimar-se

(Daniela Damaris)



Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
(Luís de Camões)

"Seus dedos na minha pele são arrepios. Todos os pelos, curiosos, levantam-se para ouvir o suspiro. E, comemorando a vitória da pele sobre as palavras, acompanham os seus dedos, arrepiando-se, arrepiados. Seus dedos que, de tão leves, escorregam sobre minha pele, cortando-me em quatro pedaços." - Rita Apoena

Ser amado é consumir-se na chama. Amar, é luzir com uma luz inesgotável. Ser amado é passar; amar é durar.
(Rainer Rilke)
"Se amor é remédio, ele é daqueles cheios de efeitos colaterais e de reações adversas. Seria divertido escrevermos a bula do amor. É o que os poetas tentam todos os dias, em um trabalho infinito, pois sempre falta algo a dizer."                      (Jorge Forbes)

sábado, 4 de janeiro de 2014

Onze anos


Estava ouvindo um chorinho de neném, aquele bem fininho, de bebê novinho mesmo. Fui ver, porque quando a gente é mãe, isso é inevitável. Uma menininha linda, linda. Perguntei quanto tempo tinha a menininha, e a mãe respondeu: 3 meses. E me disse que ela dava esse chorinho pra pegar no colo, e ela tinha medo que a menina só quisesse ficar no colo. Logo eu respondi:
- Deixe no colo, daqui a pouco está andando por aí e não vai nem precisar, nem querer colo.
Sorrimos como as mamães amigas e confidentes fazem entre si, mesmo que não se conheçam. E fiquei pensando: “Logo aprendem a andar, depois a correr, depois a competir, como João, que ganhou o primeiro lugar na corrida dos 400 metros de velocidade...” 

"É campeão!"

Ele não é mais um menininho. Viajamos para o Clube de Campo ao som de One Direction. Na minha época era um New Kids on the Block que fazia sucesso. E fiquei pensando: O que aconteceu durante todo esse tempo de 11 anos?

Até que a bandinha é boa, rapaz!

Hoje vejo as grávidas dizerem que seus filhos vão ler livros, e não vão ter essas tecnologias para os filhos. Dou risada, pois vai chegar aquele momento em que a única coisa que salva é o vídeo da Galinha Pintadinha. Bom, só sei disso, porque minha sobrinha AMA essa galinha. Mas na época do João Pedro era o Barney, um dinossauro roxo de barriga verde. Bom, depois passamos para o Bob Esponja (e a verdade é que ele gosta até hoje!), Os Padrinhos Mágicos, Harry Potter, Drake e Josh, I Carly, e, finalmente One Direction.

"Amo você, você me ama, somos uma família feliz..."


Puxa, parece que foi ontem, mas já se passaram 11 anos. E aí você percebe que sempre vai dar o colo, mesmo que só caiba a cabeça do seu bebê, quando ele diz que ama você durante o café da manhã e já vai pular para o vídeo game.
Menino vai ser sempre menino!

Um "Viva" para as tecnologias!



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Das impossibilidades



Eu estou no Verão bem brasileiro. Você está no Inverno, seja em Boston ou Barcelona. Se ao menos estivesse na Argentina, talvez nos encontrássemos na Primavera.  
Alguém dirá, mas que bobagem, claro que é possível! 
Um dia, foi possível... E esse dia passou. 


"Uma vez eu tive uma ilusão
E não soube o que fazer
Não soube o que fazer"



quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Um conta-gotas de Vanessa Lira Leite


"When a woman loves a man, all she does is shout.
When a woman loves a man, all she is, is loud.
Oh, won't she, oh won't she, oh won't she
Be braver, and solid, and stranger to me?"


Qual a minha essência? Qual minha composição? E na observação do dia a dia você vai descobrindo quem é você! Do que você é feito.
Estive pensando em como sou MUITO Vanessa. Vanessa intensa. Vanessa ventando. Vanessa incisiva. Vanessa pé de chumbo. Vanessa tempestade num copo d’água. Vanessa na ferida dói! Mas não é bom que seja eu mesma?

Ouvindo uma música, me recordei, talvez, da primeira vez... A primeira vez em que eu dei mais do que o outro esperava. Era um amigo oculto, eu tinha 10 anos. Eu tirei como amigo oculto uma querida amiga da escola. Pensei em dar algo bonito, especial. Minha mãe, que tinha uma loja de produtos de beleza na época, me ajudou a escolher um batom (rosa, claro!), e colocamos em um papel de presente. Mas minha amiga não gostou. Não ficou contente com o presente. O nariz torcido, o bico nos lábios... Eu ganhei uma caixa de bombom, e mesmo não gostando de chocolate (pasmem!) eu gostei, porque meu pai e minha irmã adoram chocolate. Naquela época, observei que todo mundo dava caixa de bombom como presente. Você dá uma caixa de bombom, ganha uma caixa de bombom e fica tudo bem. O valor do batom era pelo menos 3 vezes a caixa de bombom, detalhe que eu não me lembro bem. Entretanto naquele dia, e isso eu me lembro, eu senti uma dor no peito. Coração partido... Fiquei pra baixo, chorosa. Fui para casa e fiquei vendo o tempo, o céu, e começou a tocar no rádio, The Beatles: Hey Jude! Eu já sabia alguma coisa de inglês e achei que a música estava falando comigo: me pedia para ficar bem! E eu fiquei... Mas aquela foi a primeira vez. Não foi a única e muito menos a última. Quantas vezes dou o que tenho de melhor, mas a pessoa não gosta, não quer? A pessoa não pediu! Aliás, é o melhor, mais bonito, do meu ponto de vista...


"Hey, Jude, don't make it bad
Take a sad song and make it better
Remember to let her into your heart
Then you can start to make it better"


Uma substância pode ser veneno ou cura, depende da dose. Homeopatia funciona com o princípio da semelhança e da diluição. Mas às vezes o que funciona mesmo é uma alta dose de antibiótico, uma injeção. Uma taça de vinho por dia faz bem! Já o excesso não se recomenda...


"Não é veneno a tua boca
Quando chama a luz do dia
Quando diz que a chama é pouca
Quando ama tão vadia"


O tempo passa, e como aconteceu quando eu era criança, acontece ainda hoje. A pessoa reconhece que era um BOM presente, e agradece. Mas depois, é depois. Como fazer alguém feliz? Como dar a dose exata? Como curar sem machucar? Como equilibrar isso tudo? Como dosar, modular, ajustar?
E essa ideia de oferecer tudo não é uma ideia de gênio, não é mesmo? O gênio realiza 3 desejos, e um de cada vez...


Reconhecer a necessidade do meio... Mas não é só isso. O outro também precisa reconhecer e querer. Precisa atenção, ouvir o outro! Observar as nuance do desejo. Não dar pérolas aos porcos.

Então, vamos arrumar um conta-gotas de Vanessa Lira Leite, né?